- Impactos do uso e da dependência de médias sociais sobre o bem-estar e o cyberbullying entre adolescentes (2023-2025 – em andamento)
Resumo
As tecnologias têm impactos profundos na sociedade, na economia e na cultura. Durante e após a pandemia de COVID-19, a utilização de tecnologias de informação aumentou significativamente. Isto é particularmente grave para os adolescentes devido à dependência da Internet e ao cyberbullying. Este último, após as pandemias, acumulou-se com o bullying presencial nas escolas, com maior impacto nas vítimas, testemunhas e agressores. Os suicídios têm tido consequências extremas desde a investigação pioneira de Olweus na Noruega. Como o Brasil e Portugal apresentam relações problemáticas dos adolescentes com as tecnologias e o cyberbullying, a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade adotou um projeto elaborado pelo professor Aleksander Veraksa para obter dados científicos sobre essas questões. Planejamos aplicar o questionário a alunos de ambos os países, coletando dados em pelo menos uma escola de nível socioeconômico mais baixo, e em pelo menos uma escola de alunos de nível socioeconômico mais elevado, buscando um número mínimo de respondentes do sexo masculino e feminino, bem como aqueles na adolescência inicial (13-15 anos) e no final da adolescência (16-18). Utilizaremos no Brasil um índice socioeconômico para escolas públicas, elaborado oficialmente. Os resultados serão analisados com base na psicologia, que orientou o instrumento, e também na sociologia da educação, visando recomendações sobre políticas públicas educacionais. Portugal e Brasil usam a mesma língua, o português, e têm muitas raízes culturais comuns.
Publicações: CALIMAN, Geraldo; GOMES, Cândido Alberto (Orgs.). Educação e Direitos Humanos: Cultivando Culturas de Paz. Brasília: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade. ISBN digital 978-65-6036-526-1; ISBN físico: 978-65-6036-525-4
COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
April 3, 2023, Ethics Committee of Faculty of Psychology at Lomonosov Moscow State University (the approval No: 2023/37).
JUSTIFICATIVA
O uso das médias sociais alcançou elevado incremento quando, durante a pandemia COVID-19, a educação remota se tornou a alternativa por excelência para a continuidade da escolarização. Os contatos sociais, antes diretos e pessoais, passaram a ser mediados pelas tecnologias da informação e comunicação. Embora anterior à pandemia e concomitante com a utilização das médias sociais por estudantes, o cyberbullying acompanhou os contatos via tecnologias: o que já se não podia praticar nas dependências da escola passou a ser efetuado por meio de redes (Nazir, & Thabassum, 2021). Os mesmos meios proporcionados pelas tecnologias se, por um lado, constituíam alternativas para manter relações sociais, elaborar trabalhos cooperativamente e até obter apoio emocional para superar dificuldades e prosseguir os estudos, também serviram para os estudantes se debaterem nas arenas de poder, ao discriminar diferenças, praticar preconceitos (de gênero, etnia, origem nacional, classe, religião etc.) e estabelecer hierarquias entre estudantes e grupos de estudantes. Embora haja evidências de que o fim do confinamento representou um alívio para muitos, inclusive na escolarização, a pandemia ensejou um novo patamar de uso das tecnologias, de dependência pelo uso reiterado das mesmas e de prática do cyberbullying. Este, já existente, cresceu exponencialmente. Ora, as violências nas escolas e nas universidades, sejam físicas, simbólicas ou outras, representam obstáculos ao livre exercício do direito humano à educação: levam ao abandono da escola, afastamento da concentração nos estudos, sequelas físicas e psicológicas e até mesmo ao suicídio. Assim, geram mal-estar em geral, transtornos psicológicos e, mesmo, o óbito. Como as tecnologias podem ser aplicadas a múltiplos fins, seus usos podem levar ao avesso dos objetivos educativos, ao limitarem o acesso, a continuidade, a igualdade de condições, o sucesso educativo e o próprio direito à vida. Desse modo, o bullying e o cyberbullying, assumiram novas proporções, com graves consequências educativas, sanitárias e sociais.
OBJETIVOS DA INVESTIGAÇÃO
Esta investigação internacional e comparada tem em vista identificar os impactos dos usos de médias sociais e da respetiva dependência em relação a estas em face do bem-estar e do cyberbullying. Nesta relação os potenciais mediadores são o meio social, a atuação da família, a autoestima e as características sociodemográficas das.os adolescentes. O questionário básico (anexo) é da autoria de Aleksander Veraksa, Professor Catedrático do Instituto de Psicologia da Lomonosov Moscow State University. O Comitê de Ética da Pesquisa desta Universidade aprovou o respetivo projeto de investigação, com o instrumento de coleta dados, conforme parecer anexo em russo e tradução livre para o português. A internalização e a externalização de sintomas são outros efeitos negativos do uso excessivo da média. Um fator interveniente a destacar é o papel do envolvimento da família e o seu acompanhamento dos adolescentes no sentido de prevenir as consequências negativas do emprego das médias sociais. Da mesma forma, diferenças individuais e grupais de características podem ser afetadas por características sociodemográficas. Por sua vez, as comparações interculturais podem revelar novos fatos a respeito das diferenças do meio cultural e socioeconômico quanto aos usos das médias sociais por adolescentes.
Publicações: CALIMAN, G.; VASCONCELOS, I.(Orgs.). Jovens universitários: entre a inclusão e a exclusão. Brasília: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, 2019, 180 p. Baixar em PDF. 3. Juventude Universitária e os Direitos Humanos (finalizado)A Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, da Universidade Católica de Brasília, sob a Coordenação do Prof. Dr. Geraldo Caliman, iniciou uma relevante pesquisa voltada a entender como os estudantes universitários concebem o conceito de Direitos Humanos. A pesquisa tem como objetivo geral indagar opiniões, percepções e atitudes que se destacam na fala de alunos da educação superior a respeito dos direitos humanos. E como objetivos específicos: (a) Investigar as opiniões, percepções e atitudes de estudantes universitários a respeito dos direitos humanos; (b) Verificar, através de análise documental e da opinião dos estudantes universitários, a existência e pertinência dos instrumentos curriculares disponíveis para a educação em direitos humanos na Universidade; e (c) Indagar sobre a percepção e disposição dos jovens universitários em participar das soluções dos problemas sociais que identificam na sociedade. A pesquisa está sendo replicada em diversas Universidades: PUC-Paraná, UNISAL-SP. Outras Universidades estão aderindo à pesquisa, entre eles: Universidade Católica Silva Henriquez do Chile; Centro de Ensino Superior Dom Bosco de Madrid; Centro de Ensino Superior Salesiano de Veneza. Nos dias 18 e 19 de novembro de 2014, como parte do processo dessa pesquisa, foi realizado o Seminário Internacional “Atualidades em Educação e Direitos Humanos”, com participação de renomados especialistas: da Universidade do Minho, Portugal (Dr. Carlos Estêvão); Universidade de Querétaro, México (Dra. Azucena Ochoa Cervantes); Universidade Católica Silva Henriquez, Chile (Dr. Jorge Baeza), Universite de Montreal I, Canadá (Dr. Maurice Tardif); Pontificia Universidade Católica do Paraná (Dra. Ana Eyng), Universidade Católica de Brasília (Dr. Geraldo Caliman, Dr. Cândido Alberto Gomes da Costa, Dr. Celio da Cunha, Dr. Carlos Angelo Meneses Sousa).
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