Grupo de Pesquisa

Para a organização de suas pesquisas, além de sua estrutura, a Cátedra conta com um grupo de pesquisa cujo objetivo é o de elaboração e execução de projetos de pesquisa considerados relevantes em resposta à sua missão, ou seja, projetos que estudem os fenômenos da juventude Juventudes, em interface com a Educação e a Sociedade, que façam a análise das necessidades da Juventude, e que deem respostas à luz da Educação Escolar e/ou Social. O grupo de pesquisa, registrado na CAPES e certificado pela UCB e pode ser acessado no diretório de grupos de pesquisa da CAPES, sob o nome “Grupo de Pesquisa Juventude Educação e Sociedade“. Este grupo busca disseminar os resultados das pesquisas participando de eventos e da sua organização, quando for o caso, em instituições relevantes, sobretudo as integrantes da rede e organizar um banco de dados sobre o tema, visando a contribuir para a implantação de políticas públicas. Alguns projetos mais representativos nos últimos anos (2010 a 2025):
  1. Impactos do uso e da dependência de médias sociais sobre o bem-estar e o cyberbullying entre adolescentes (2023-2025 – em andamento)

Resumo
As tecnologias têm impactos profundos na sociedade, na economia e na cultura. Durante e após a pandemia de COVID-19, a utilização de tecnologias de informação aumentou significativamente. Isto é particularmente grave para os adolescentes devido à dependência da Internet e ao cyberbullying. Este último, após as pandemias, acumulou-se com o bullying presencial nas escolas, com maior impacto nas vítimas, testemunhas e agressores. Os suicídios têm tido consequências extremas desde a investigação pioneira de Olweus na Noruega. Como o Brasil e Portugal apresentam relações problemáticas dos adolescentes com as tecnologias e o cyberbullying, a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade adotou um projeto elaborado pelo professor Aleksander Veraksa para obter dados científicos sobre essas questões. Planejamos aplicar o questionário a alunos de ambos os países, coletando dados em pelo menos uma escola de nível socioeconômico mais baixo, e em pelo menos uma escola de alunos de nível socioeconômico mais elevado, buscando um número mínimo de respondentes do sexo masculino e feminino, bem como aqueles na adolescência inicial (13-15 anos) e no final da adolescência (16-18). Utilizaremos no Brasil um índice socioeconômico para escolas públicas, elaborado oficialmente. Os resultados serão analisados com base na psicologia, que orientou o instrumento, e também na sociologia da educação, visando recomendações sobre políticas públicas educacionais. Portugal e Brasil usam a mesma língua, o português, e têm muitas raízes culturais comuns.

Publicações: CALIMAN, Geraldo; GOMES, Cândido Alberto (Orgs.). Educação e Direitos Humanos: Cultivando Culturas de Paz. Brasília: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade. ISBN digital 978-65-6036-526-1; ISBN físico: 978-65-6036-525-4

COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
April 3, 2023, Ethics Committee of Faculty of Psychology at Lomonosov Moscow State University (the approval No: 2023/37).

JUSTIFICATIVA
O uso das médias sociais alcançou elevado incremento quando, durante a pandemia COVID-19, a educação remota se tornou a alternativa por excelência para a continuidade da escolarização. Os contatos sociais, antes diretos e pessoais, passaram a ser mediados pelas tecnologias da informação e comunicação. Embora anterior à pandemia e concomitante com a utilização das médias sociais por estudantes, o cyberbullying acompanhou os contatos via tecnologias: o que já se não podia praticar nas dependências da escola passou a ser efetuado por meio de redes (Nazir, & Thabassum, 2021). Os mesmos meios proporcionados pelas tecnologias se, por um lado, constituíam alternativas para manter relações sociais, elaborar trabalhos cooperativamente e até obter apoio emocional para superar dificuldades e prosseguir os estudos, também serviram para os estudantes se debaterem nas arenas de poder, ao discriminar diferenças, praticar preconceitos (de gênero, etnia, origem nacional, classe, religião etc.) e estabelecer hierarquias entre estudantes e grupos de estudantes. Embora haja evidências de que o fim do confinamento representou um alívio para muitos, inclusive na escolarização, a pandemia ensejou um novo patamar de uso das tecnologias, de dependência pelo uso reiterado das mesmas e de prática do cyberbullying. Este, já existente, cresceu exponencialmente. Ora, as violências nas escolas e nas universidades, sejam físicas, simbólicas ou outras, representam obstáculos ao livre exercício do direito humano à educação: levam ao abandono da escola, afastamento da concentração nos estudos, sequelas físicas e psicológicas e até mesmo ao suicídio. Assim, geram mal-estar em geral, transtornos psicológicos e, mesmo, o óbito. Como as tecnologias podem ser aplicadas a múltiplos fins, seus usos podem levar ao avesso dos objetivos educativos, ao limitarem o acesso, a continuidade, a igualdade de condições, o sucesso educativo e o próprio direito à vida. Desse modo, o bullying e o cyberbullying, assumiram novas proporções, com graves consequências educativas, sanitárias e sociais.

OBJETIVOS DA INVESTIGAÇÃO
Esta investigação internacional e comparada tem em vista identificar os impactos dos usos de médias sociais e da respetiva dependência em relação a estas em face do bem-estar e do cyberbullying. Nesta relação os potenciais mediadores são o meio social, a atuação da família, a autoestima e as características sociodemográficas das.os adolescentes. O questionário básico (anexo) é da autoria de Aleksander Veraksa, Professor Catedrático do Instituto de Psicologia da Lomonosov Moscow State University. O Comitê de Ética da Pesquisa desta Universidade aprovou o respetivo projeto de investigação, com o instrumento de coleta dados, conforme parecer anexo em russo e tradução livre para o português. A internalização e a externalização de sintomas são outros efeitos negativos do uso excessivo da média. Um fator interveniente a destacar é o papel do envolvimento da família e o seu acompanhamento dos adolescentes no sentido de prevenir as consequências negativas do emprego das médias sociais. Da mesma forma, diferenças individuais e grupais de características podem ser afetadas por características sociodemográficas. Por sua vez, as comparações interculturais podem revelar novos fatos a respeito das diferenças do meio cultural e socioeconômico quanto aos usos das médias sociais por adolescentes.

2. Violência escolar em ambiente universitário entre Brasília e Roma: interpretações e promoção de culturas de paz (finalizado)
Descrição: O estudo parte de algumas hipóteses sobre a violência nas escolas e de suas manifestações em diversas categorias. São utilizadas categorias interpretativas inspiradas em paradigmas sociológicos, que nos permitem uma leitura dos condicionantes externos da violência(em perspectiva estrutural) como também daqueles que se encontram presentes nas atitudes,valores e crenças, no quotidiano das pessoas (perspectiva cultural). Uma leitura em perspectiva estrutural delinea algumas teorias ligadas à socialização e integração social, à ecologia urbana, à desorganização social do território e à aceleração dos processos de mudança social, como de industrialização e de modernização. É uma interpretação que contempla os condicionamentos externos em nível macro social geradores de mal-estar social e de reações de tipo marginalizante e violento. Uma leitura em perspectiva cultural mostra como ocorrem certas dinâmicas da criação e transmissão de valores, atitudes, crenças a nível micro social e na relacional na vida quotidiana. São analisados potenciais geradores de violência como a percepção das desvantagens alimentadas pelo sentimento de privação relativa, de desigualdade social e pelos fatores de risco externos e internos aos sujeitos. Objetivo da pesquisa é de identificar as matrizes estruturais e culturais mais incidentes na geração da violência no meio universitário, segundo a percepção de alunos e docentes de uma IES de Brasília. Os objetivos específicos estão orientados à compreensão das manifestações de violência percebidas no meio universitário; na identificação de possíveis razões que levam a utilizar-se de expressões violentas; e na projeção de práticas e de processos educativos voltados à prevenção da violência entre os estudantes. A metodologia prevê aplicações de questionários para gestores; de grupos focais para estudantes universitários; e num segundo momento a construção de questionário para um maior numero de estudantes. Espera-se que os resultados manifestem a prevalência dos fatores culturais sobre os estruturais, abrindo espaços para a atuação da educação para a convivência, a cidadania e a construção de culturas de paz..Situação: Em andamento; Natureza: Pesquisa.
Publicações: CALIMAN, G.; VASCONCELOS, I.(Orgs.). Jovens universitários: entre a inclusão e a exclusão. Brasília: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, 2019, 180 p. Baixar em PDF.

3. Juventude Universitária e os Direitos Humanos (finalizado)A Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, da Universidade Católica de Brasília, sob a Coordenação do Prof. Dr. Geraldo Caliman, iniciou uma relevante pesquisa voltada a entender como os estudantes universitários concebem o conceito de Direitos Humanos.  A pesquisa tem como objetivo geral indagar opiniões, percepções e atitudes que se destacam na fala de alunos da educação superior a respeito dos direitos humanos. E como objetivos específicos: (a) Investigar as opiniões, percepções e atitudes de estudantes universitários a respeito dos direitos humanos; (b) Verificar, através de análise documental e da opinião dos estudantes universitários, a existência e pertinência dos instrumentos curriculares disponíveis para a educação em direitos humanos na Universidade; e (c)  Indagar sobre a percepção e disposição dos jovens universitários em participar das soluções dos problemas sociais que identificam na sociedade. A pesquisa está sendo replicada em diversas Universidades: PUC-Paraná, UNISAL-SP. Outras Universidades estão aderindo à pesquisa, entre eles: Universidade Católica Silva Henriquez do Chile; Centro de Ensino Superior Dom Bosco de Madrid; Centro de Ensino Superior Salesiano de Veneza. Nos dias 18 e 19 de novembro de 2014, como parte do processo dessa pesquisa, foi realizado o Seminário Internacional “Atualidades em Educação e Direitos Humanos”, com participação de renomados especialistas: da Universidade do Minho, Portugal (Dr. Carlos Estêvão); Universidade de Querétaro, México (Dra. Azucena Ochoa Cervantes); Universidade Católica Silva Henriquez, Chile (Dr. Jorge Baeza), Universite de Montreal I, Canadá (Dr. Maurice Tardif); Pontificia Universidade Católica do Paraná (Dra. Ana Eyng), Universidade Católica de Brasília (Dr. Geraldo Caliman, Dr. Cândido Alberto Gomes da Costa, Dr. Celio da Cunha, Dr. Carlos Angelo Meneses Sousa).

Publicações:

CALIMAN, G.; VASCONCELOS, I.C. de O. (Org.). Juventude Universitária: Percepção sobre Justiça e Direitos Humanos. Brasília: Liber Livro, 2016. [Baixar o livro em PDF]

LUSTOZA, R.; CALIMAN, G. Juventude Universitária e Direitos Humanos. São Paulo: Novas Edições Acadêmicas, 2018. ISBN 978-613-9-68112-9.