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Mesa redonda formação profissional de pessoas com deficiência

15 de abril de 2015

SeminarioPessoasDefMesa redonda reuniu pesquisadores na área de educação e inclusão para abordar a importância da formação profissional de pessoas com deficiência.

A Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB), com o apoio do Programa de Pós-graduação em Educação da UCB, do curso de Pedagogia e do Serviço de Orientação Inclusiva (SOI), realizou no dia 9 de abril, às 19h30, no Câmpus I, no Auditório do Bloco G, a mesa redonda “Educação de Pessoas com Deficiência” para discutir os desafios e oportunidades para a área de inclusão. No evento, foi tratada a temática central do livro “Formação Profissional de Pessoas com Deficiência: um novo jeito de ser docente”, lançado no final de 2014, pela pesquisadora em Educação, Loni Manica, em parceria com o coordenador da Cátedra UNESCO da UCB, Prof. Dr. Geraldo Caliman.

Fruto de quatro anos de pesquisa em todo o país, a publicação abordou questões como, paciência, metodologia e tempo diferenciados, além de superação do preconceito pelo professor e capacidade de assumir que é possível haver uma aprendizagem mediada, pois o estudante com deficiência pode contribuir para a melhoria da dinâmica da aula. Segundo a assessora parlamentar em inclusão e diversidade Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, Loni Elisete Manica, doutora em Educação, “O professor precisa entender que é preciso dialogar com o estudante e entender que ele é indivíduo na sala de aula, pois o limite está apenas na nossa mente”.

O professor Geraldo Caliman explicou que a Cátedra atua em pesquisas na área dos direitos humanos e de grupos específicos, como o caso das pessoas com deficiência. O evento, voltado aos estudantes da área de Pedagogia, Educação e Libras (Língua Brasileira de Sinais), tem o objetivo de ampliar a pesquisa sobre direitos humanos e justiça. “Depois de tantos anos longe da primeira e da segunda guerra mundiais, nossa sociedade não conheceu de perto certos problemas de desrespeito aos direitos humanos. Por isso, é possível que as pessoas esqueçam que é preciso lutar e respeitar as diversidades sociais, sobretudo, em pessoas que têm deficiência. A deficiência não é uma excepcionalidade aqui, mas deve ser uma normalidade dentro da sociedade”, ressaltou.

Mesa-redonda

Durante o debate, a Prof. Dr. Sinara Pollom Zardo, doutora em educação e professora do programa de Pós-graduação em Educação da UCB, defendeu o reconhecimento e a valorização da inclusão. Para ela, “antes, a deficiência era incapacidade e exclusão e, hoje, é valorizada como condição humana que dá acesso aos diretos humanos”. Sinara Zardo abordou três eixos de discussão: diferença na concepção da deficiência e de pessoas com deficiência, orientações para a organização da educação especial na perspectiva da educação inclusiva nos sistemas de ensino e os desafios para a garantia do direito à educação para pessoas com deficiência. Segundo ela, de acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ratificada no Brasil como Emenda Constitucional, o termo identifica “pessoas com impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”.

Loni Monica contou a história de superação do irmão que possui deficiência intelectual, fato que a motivou a atuar com temas ligados à inclusão. “Apoiei a criação de uma lei que obrigava a capacitação profissional e inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência. A formação do ser humano começa na família, por meio do processo de humanização em que valores éticos e morais têm continuidade no trabalho da escola. O trabalho é crucial para garantir a cidadania e o sentimento de pertencimento ao grupo para a construção de uma identidade social, de reconhecimento de suas capacidades”, disse.

Ela explicou ainda que educação inclusiva significa assegurar a todos os estudantes, a igualdade de oportunidades, sem exceção. Então, três grandes fases marcam a trajetória das Pessoas Com Deficiência (PCD): exclusão total, integração, quando a PCD se prepara para ser inserida em uma sociedade não preparada para recebê-la, e inclusão, quando a sociedade se prepara para receber a PCD.

A mestra em Educação, especialista em Libras e Educação Inclusiva e professora de Libras da UCB, Valícia Ferreira Gomes, falou sobre as estratégias de inclusão para estudantes surdos nas universidades do DF e na educação superior. “Percebemos uma crescente da procura de estudantes surdos na educação infantil, básica ou ensino médio, o que possibilita a inclusão do surdo no ensino superior. A deficiência do surdo é de comunicação. Nesse mês comemoramos 10 anos de reconhecimento e regulamentação da Libras. Somente na UCB, temos oito estudantes surdos e dois professores, ou seja, isso faz parte desses processo de inclusão, pois 5% da população possui essa deficiência e é preciso incluí-las na sociedade”, defendeu.

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