Arquivo do autor:Laboratório de Pedagogia Social

Sobre Laboratório de Pedagogia Social

Doutorado (1995) e Pós-Doutorado (2001) em Educação - Università Pontificia Salesiana de Roma. Professor da Pontificia Universidade Salesiana' de Roma (UPS) (1995-2003) onde atuou como Coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado em Pedagogia Social (1998-2000). Experiência na gestão de instituições socioeducativas (Brasília 1982-1984; Belo Horizonte 1985-1987; 1991). A partir de 2005 é professor da Universidade Católica de Brasília onde já atuou também como Pró-Reitor de Pós Graduação e Pesquisa. Ensina no Programa de Mestrado e Doutorado em Educação e Coordena a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade. Tem experiência na área de Educação, Sociologia da Educação, com ênfase em Pedagogia Social, e temas correlatos como Educação Social, Exclusão Social, Prevenção, Sociologia do Desvio e da Delinquência, Delinqüência Juvenil. Coeditor Internacional de "Alteridad: Revista de Educación"; Membro do Conselho Editorial da "Revista de Educação" da ANEC. Livros publicados nos últimos seis anos: (1) CALIMAN, G. (Org.) As Cátedras UNESCO e os desafios dos ODS, 2019; (2) CALIMAN, G.; VASCONCELOS, I. (Orgs.). Juventude Universitária: Percepções sobre Justiça e Direitos Humanos. Brasilia: Liber, 2016. (3) MANICA, L.; CALIMAN, G. Inclusão de Pessoas com Deficiência na Educação Profissional e no Trabalho. São Paulo: Paco, 2015. (4) CALIMAN, G.; PIERONI, V. Sociologia e Drogadição. Formação de Pessoal. Guarapuava: UNICENTRO – Universidade Aberta do Brasil, 2015. (5) MANICA, Loni; CALIMAN, Geraldo.. Educação Profissional para Pessoas com Deficiência. Brasília: Liber Livro, 2015.(6) CALIMAN, G. (Org.). Direitos Humanos na Pedagogia do Amanhã. Brasília: Liber Livro, 2014. (7) CALIMAN, G.; PIERONI, V. ; FERMINO, A. Pedagogia da Alteridade Brasília: Liber Livro, 2014. (8) CALIMAN, Geraldo (Org.). Violências e Direitos Humanos : Espaços da Educação. Brasília: Liber Livro, 2013.

Altas Habilidades Volume 1 – com o selo da Cátedra UNESCO 812


VAZZOLER-MENDONÇA, A.; COSTA-LOBO, C.; MEDEIROS, A.M.; CAPELLINI, V.L.(Orgs.). Altas habilidades, Saúde, Desporto e Sociedade. Vol. 1. São Paulo: Cultura Acadêmica.

Altas Habilidades Volume 1 [Baixar PDF]Baixar

Foram lançados no dia 14 de agosto os dois livros dedicados às Altas Habilidades, em parceria com o IES-Fafe (Portugal) e com a Editora Cultura Acadêmica. O primeiro volume é organizado em seis partes, entre: Prefácio, Apresentação, Introdução; Seção 1 – Psicologia; Seção 2 – Educação; Seção 3 – Neurociências; Seção 4 – Psicologia do Esporte, Educação Física e Ciências do Esporte; Seção 5 – Direito e Ciências Sociais; Seção 6 – Relatos de Experiência. O Prof. Dr. Cândido Alberto da Costa Gomes, fundador da Cátedra UNESCO assim os apresenta: “Os direitos humanos reiteraram a liberdade e a igualdade de direitos para todos, bem como a dignidade humana, como alicerces da nova convivência, num mundo cada vez mais caleidoscópico e interdependente. O direito à educação para todos é um direito fundamental, que abre o acesso a outros direitos, como à saúde, ao trabalho, ao lazer. Todavia, estudantes e docentes se diferenciam por gênero, etnia, língua, religião, origens sociais, capacidades intelectuais demonstradas e outros critérios de um leque amplo. E as sociedades tendem a hierarquizar as diferenças, diferenciar os tratamentos e, não raro, passar um rolo compressor sobre os não correspondentes ao ‘normal’. Os divergentes tendem a sofrer um custo, como estudantes superdotadas(os) e de altas habilidades. Quem são elas(es)? Como se sentem? Sentem-se sós ou isoladas(os)? São tratadas(os) com igualdade de direitos em suas diferenças? Também são alvos de bullying e cyberbullying? Com razão e consciência, usualmente nos preocupamos com os socialmente vulneráveis e aqueles a quem o ambiente apresenta dificuldades visíveis. Porém, os caminhos podem ser pedregosos para qualquer diferente. Para uma realidade multifacetada, esta obra é também multidisciplinar: estuda a população de superdotados e de altas habilidades sob vários focos, como a psicologia, as neurociências, a educação, o direito e as ciências sociais, por autoras(es) de diversos países, em variados idiomas, que o entrelaçamento mundial e as tecnologias hoje permitem. Portanto, são páginas abertas ao debate científico, tendo como finalidade última a concretização dos direitos humanos em torno da liberdade, da igualdade e da dignidade de cada pessoa e dos grupos que constituem.

Publicado com selo da Cátedra UNESCO/UCB “Altas Habilidades Volume 2: Saúde, Desporto e Sociedade


VAZZOLER-MENDONÇA, A.; COSTA-LOBO, C.; MEDEIROS, A.M.; CAPELLINI, V.L.(Orgs.). Altas habilidades, Saúde, Desporto e Sociedade. Vol. 2. São Paulo: Cultura Acadêmica.

Altas habilidades – Volume 2 [Baixar PDF]

Foram lançados no dia 14 de agosto os dois livros dedicados às Altas Habilidades, em parceria com o IES-Fafe (Portugal) e com a Editora Cultura Acadêmica. O segundo volume é organizado em seis partes, entre: Prefácio, Apresentação, Introdução; Seção 1 – Psicologia; Seção 2 – Educação; Seção 3 – Neurociências; Seção 4 – Psicologia do Esporte, Educação Física e Ciências do Esporte; Seção 5 – Direito e Ciências Sociais; Seção 6 – Relatos de Experiência. O Prof. Dr. Cândido Alberto da Costa Gomes, fundador da Cátedra UNESCO assim os apresenta: “Os direitos humanos reiteraram a liberdade e a igualdade de direitos para todos, bem como a dignidade humana, como alicerces da nova convivência, num mundo cada vez mais caleidoscópico e interdependente. O direito à educação para todos é um direito fundamental, que abre o acesso a outros direitos, como à saúde, ao trabalho, ao lazer. Todavia, estudantes e docentes se diferenciam por gênero, etnia, língua, religião, origens sociais, capacidades intelectuais demonstradas e outros critérios de um leque amplo. E as sociedades tendem a hierarquizar as diferenças, diferenciar os tratamentos e, não raro, passar um rolo compressor sobre os não correspondentes ao ‘normal’. Os divergentes tendem a sofrer um custo, como estudantes superdotadas(os) e de altas habilidades. Quem são elas(es)? Como se sentem? Sentem-se sós ou isoladas(os)? São tratadas(os) com igualdade de direitos em suas diferenças? Também são alvos de bullying e cyberbullying? Com razão e consciência, usualmente nos preocupamos com os socialmente vulneráveis e aqueles a quem o ambiente apresenta dificuldades visíveis. Porém, os caminhos podem ser pedregosos para qualquer diferente. Para uma realidade multifacetada, esta obra é também multidisciplinar: estuda a população de superdotados e de altas habilidades sob vários focos, como a psicologia, as neurociências, a educação, o direito e as ciências sociais, por autoras(es) de diversos países, em variados idiomas, que o entrelaçamento mundial e as tecnologias hoje permitem. Portanto, são páginas abertas ao debate científico, tendo como finalidade última a concretização dos direitos humanos em torno da liberdade, da igualdade e da dignidade de cada pessoa e dos grupos que constituem.

Voz de Dicionário “Pedagogia Social”


CALIMAN, Geraldo. Voz Pedagogia social. In: SIVERES, L.; NODARI, P.C. (Orgs.). Dicionário de Cultura de Paz. Vol.2. Curitiba: Editora CRV, 2021, pp. 263-267. [Baixar em pdf]

Os processos educativos têm sido sempre identificados, no Brasil, relacionados ao sistema escolar. No entanto, a demanda emergente das necessidades sociais, especialmente aquelas relacionadas à infância e à juventude, trouxe à tona outros processos educativos igualmente significativos e influentes. Em muitos casos, a população socialmente excluída, em particular crianças, adolescentes e jovens, encontra em organizações sociais e outros ambientes não escolares o apoio indispensável para superar as suas condições de exclusão. São associações, clubes, obras sociais e uma variedade de experiências que viabilizam a educação através de metodologias, projetos e ações que incluem o esporte, o trabalho, o lazer, a cultura, a expressão, a arte. Em outras palavras, a escola é indispensável, mas não a única e nem suficiente em si mesma como espaço da educação e nem se pode jogar sobre seus ombros toda a responsabilidade pela luta a favor da inclusão social.

Artigo: A colaboração entre o atendimento educacional especializado e a comunidade escolar


ANJOS, R.C.A.A.; VASCONCELOS, I.C.O; CALIMAN, G. A colaboração entre o atendimento educacional especializado e a comunidade escolar. Revista Intersaberes, v. 16, n. 37, 2021, p. 280-305. O presente estudo, que é o recorte de uma dissertação de mestrado em educação, investiga a colaboração entre o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e os principais atores da escola inclusiva, pressupondo-se que o sucesso desse tipo de escola depende de sua capacidade de promover trabalhos colaborativos entre seus atores. Adotou-se a abordagem qualitativa-exploratória, na modalidade de estudo de caso, utilizando-se de observações, entrevistas e análise documental, bem como de técnicas da análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram que o trabalho em conjunto entre os membros da escola precisa ser colaborativo, envolvendo o AEE e a comunidade, o que potencializa as aprendizagens, tanto de alunos, quanto de professores. Docentes do ensino regular relataram que obtêm êxito do processo educacional quando recebem apoio do AEE, pais e direção. Já os que atuam no AEE, com situações múltiplas e complexas, informaram que seu trabalho é mais eficaz quando têm a colaboração de todos os envolvidos com a educação e que, por isso mesmo, se esforçam para manter vínculos, bem como estabelecer o diálogo e a comunicação constantes.
Palavras-chave: Inclusão. Atendimento educacional especializado. Colaboração. Aprendizagem.

Conferência sobre Desafios ao Professor em Tempos de Pandemia


Fomos obrigatoriamente lançados no ensino remoto de emergência por uma pandemia global. Ainda essa semana ficamos chocados com a notícia do falecimento de uma aluna do Mestrado, Anna Angélica, e seu marido, professor na UnB. O Convidado, prof. Randall Allsup, professor de música no Columbia University afirma que: “…no início de um semestre no ano de 2020, nada menos – os professores enfrentaram desafios em constante mudança. Disseram a eles para serem resilientes e flexíveis. Disseram para se adaptarem. Mas, a menos que já estivessem ensinando on-line, o ensino de música por meio do Zoom não fazia sentido”. Para o Prof. Randall Allsup, “o ensino à distância pode nos permitir, resgatar pedagogias esquecidas como a aprendizagem baseada em portfólio ou avançar em uma política mais robusta por meio do ensino criativo. Saúde e bem-estar estão em nossas mentes. O mesmo ocorre com a prevalência de traumas e perdas. Nos perguntamos sobre a impossibilidade do que chamamos de formação de professores ou preparação de professores (eu não estava preparado para isso). Processos que antes prezávamos, como o diálogo, estão mudando, e pensamos sobre o que significa testemunhar tanto quanto falar.”

A nossa Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade foi honrosamente convidada a organizar, junto com o Programa de Educação, este evento. A Cátedra publicará seu livro “Remixing the classroom: Toward an open philosophy of music education” [Reconfigurando a sala de aula: através de uma filosofia aberta de educação musical]. Em sintonia com os objetivos da UNESCO, nossa Cátedra UNESCO/UCB tem publicado recentemente ainda esse ano, vários livros, todos em parceria com outras instituições:

No dia 23 de abril serão lançados os dois volumes do Dicionário de Culturas de Paz (Siveres e Nodari); Estão praticamente prontos dois volumes de “Altas Habilidades (Vol. I e Vol. II) com o selo da Cátedra financiados via parceria portuguesa, pela Editora da UNESP. Tem mais oito títulos em perspectiva para serem publicados. Estão sendo traduzidos dois outros livros do italiano para o Português graças a uma parceria com a Università degli Studi Roma-3.

Randall Everett Allsup é professor e pesquisador permanente da área de música e Educação Musical na Teachers College, Columbia University na cidade de Nova York desde 2003. Randall formou-se em performance musical e educação musical na Northwestern University e na Columbia University. Sua tese de doutorado, Crossing Over: Aprendizagem Mútua e Ação Democrática na Educação Musical Instrumental foi premiada como “Dissertação de Destaque do Ano” pelo Conselho de Pesquisa em Educação Musical. Recebeu Bolsa Fulbright que o levou para a Sibelius Academy, Helsinque, Finlândia, para ensinar e conduzir pesquisas. Foi professor visitante na Xiamen (Ciámen) University, China. Ministrou palestras, ensinou e viajou extensivamente pela China e Taiwan. Foi pesquisador na Tokyo University no Japão além de ter recebido o Prêmio de Excelência em Ensino no Teachers College, Columbia University. A Teachers College é considerada a maior Escola de Educação dos Estados Unidos ultrapassando instituições como Harvard e Stanford. O Prof. José Ivaldo está atento às questões que eventualmente serão colocadas ao prof. Randall. Pedimos que as questões sejam objetivas e compreensíveis para que possam ser adequadamente traduzidas para o Conferencista.

Nova Publicação: Internacionalização da Educação Básica e Superior


Apresentamos a nova publicação “Internacionalização da Educação Básica e Superior: Desafios, Perspectivas, Experiências“, organizada pelo Prof. Dr. Renato Brito, com o selo da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília. Estamos vivendo um cenário mundial cada vez mais globalizado que tem impulsionado, dentre
outras coisas, o processo de internacionalização da Educação. O Ensino Superior iniciou esse processo, mas atualmente já se verifica também um gradativo processo de internacionalização na Educação Básica, refletido pela oferta das chamadas escolas internacionais e bilíngues, além da seleção de estudantes ainda no ensino médio para fazer o ensino superior fora de seus respectivos países de origem. Este novo cenário mundial exige não só uma troca de experiências mais ampliada e diversificada, como também a aquisição e o desenvolvimento, por parte dos estudantes, de competências e habilidades para um mundo do trabalho cada vez mais dinâmico, em decorrência das descontinuidades tecnológicas cada vez mais frequentes. É dentro deste cenário que se insere a importante iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica de Brasília e da Cátedra UNESCO-UCB ao promover o Congresso Internacional intitulado Internacionalização da Educação Básica e Superior: Desafios, Perspectivas e Experiências, que dentre outros produtos, gerou a edição deste livro, organizado pelo Prof. Dr. Renato de Oliveira Brito, composto por 17 capítulos escritos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, participantes, em sua larga maioria, do Congresso em questão. [Pode ser baixado em PDF com este link].

 

Novo Livro: “Pedagogia Social e Juventudes” (com apresentação de G. Caliman)


A Pedagogia Social tem se manifestado como uma teoria geral da educação social. Enquanto teoria geral ela se dedica à sistematização de conhecimentos que lhe dão uma base epistemológica e interpretativa dos fenômenos ligados à educação, sobretudo no âmbito social, seja ela aplicada na área escolar ou fora da escola. Enquanto educação social, é uma ciência pratica voltada a intervir sobre realidades, sobretudo aquelas ligadas à dimensão social da educação como a formação a cidadania, a prevenção de situações de risco, ao reforço das condições de resiliência, à difusão de culturas de paz, à gestão de conflitos, à difusão e aplicação dos principios dos direitos humanos.

Souza Neto, Silva e Moura (2011) já sinalizavam, na organização de “Pedagogia Social – Vol. 2 – Contribuições para uma teoria geral da educação social”, como “a ressignificação, levada a cabo no Volume 1 da Pedagogia Social, possibilitou classificar as diversas praticas alternativas a educação escolar em três domínios, segundo os recursos cognitivos que ela mobiliza: sociocultural, sociopedagógico e sociopolítico”. A partir da definição desses domínios que foram amplamente debatidos nos diversos Congressos Internacionais de Pedagogia Social realizados no Brasil, os autores confirmam como tal posicionamento passa a orientar, simultaneamente, a formação, a pesquisa e o campo de trabalho da educação social, constituindo-se em um corte epistemológico capaz de dialogar sem conflitos com a educação escolar e, ao mesmo tempo, resolvendo a ambiguidade em relação ao conceito educação não formal. 

A partir do momento em que assumimos a concepção acima, a Pedagogia Social não se confunde injustamente com uma pedagogia para os pobres e desamparados. Esse seria o risco de assumirmos uma classificação entre educação formal e educação não formal: de acreditar que a formal seja para a “boa pedagogia” e a não formal para os que não tiveram a possibilidade de estudar em boas escolas e ficariam na dependência da assistência social.

A partir desse balizamento epistemológico ela se define como uma pedagogia para os seres humanos: onde houver um ser humano, seja ele na escola, nas classes abastadas, em situações de risco e vulnerabilidade, existe um espaço de atuação para a dimensão social da educação. Aliás, no mundo em que vivemos perguntamo-nos sempre o porquê de a Pedagogia Social ser tão desenvolvida em sociedades abastadas como a Finlândia, a Alemanha, a Espanha, Portugal, Itália. A Universidade Pontifícia Salesiana de Roma hoje tem cerca de 200 alunos inscritos no Programa de Bacharelado, Mestrado e Doutorado em Pedagogia Social. Talvez essa demanda pela Pedagogia Social em países desenvolvidos querem nos alertar para a ideia de que os seres humanos precisam aprender a se relacionar culturalmente, politicamente e pedagogicamente como seres em crescimento, independentemente da sua condição social.

Podemos fazer duas ótimas releituras ao longo do tempo. Uma de Dom Bosco, no século XIX, e outra de Paulo Freire no século XX. Dom Bosco viveu em um período particularmente caracterizado pela revolução industrial. Muitos eram os jovens abandonados a própria sorte e explorados por patrões perversos. E certo que Dom Bosco nunca ouviu falar em “pedagogia social”, mas nos podemos fazer uma releitura histórica de sua pratica pedagógica, identificando não com muita dificuldade, principios pedagógicos que hoje inspiram a educação social. Seu humanismo pedagógico é composto por elementos como a religião, a razão, o carinho e o trabalho. O primeiro elemento, a religião, tem a ver com o sentido da vida, a descoberta do transcendente, a construção de um projeto de vida. A razão – e Dom Bosco viveu na época da razão – mostra a tendência da busca pelo conhecimento, pela verdade, pela racionalidade, pela descoberta do adolescente e jovem como um sujeito e não como objeto a ser moldado; pela consciência crítica voltada à administração dos riscos e vulnerabilidades vividos. A dimensão afetiva (carinho) tende a sintonizar-se com a linguagem mais conhecida pelos jovens, quando tudo passa primeiro pelo coração e, somente assim, chega à razão. A dimensão do trabalho, por sua vez, é operacional: abre caminhos e espaços para a participação no mundo profissional e produtivo e, portanto, torna possível a construção do projeto de vida.

No século XX, outra releitura necessária e inspiradora é a que podemos fazer a partir de Paulo Freire. Estamos em tempos em que precisamos resgatá-lo como patrono – talvez sem o saber – da pedagogia social dos nossos tempos. Uma releitura de sua prática pedagógica nos permite intuir em seu método educativo utilizado para a alfabetização não uma aprendizagem de letras e números. A leitura que Freire sugeria era da realidade, do mundo em que se vivia. Uma leitura que ajudasse as pessoas a tomar consciência dos próprios riscos. Certamente Paulo Freire não foi um teorizador da Pedagogia Social, mas o seu pensamento pedagógico inspira muitas das metodologias que são utilizadas na prática pedagógica de quem atua na Educação Social. E se presta como referencial teórico e cientifico para a construção de uma Teoria da Educação Social.

Acredito que a Professora Sueli Pessagno-Caro (In Memoriam: a quem é dedicado este volume) tinha como balizamento, de um lado, a educação social inspirada em Dom Bosco e, de outro, o referencial teórico e científico de uma Pedagogia Social a ser redescoberta a partir de Paulo Freire. Mas seu legado fica sobretudo ligado à sua atuação na sistematização de uma Pedagogia Social brasileira tão bem desenvolvida a partir dos inícios do terceiro milênio em torno dos Congressos Internacionais de Pedagogia Social.

O presente livro discorre sobre temas muito ricos para a educação social. Alguns temas podem ser identificados como pertencentes: ao domínio sociocultural, como as relações de gênero, a juventude entre culturas e projeto de vida; ao domínio sociopolítico, como a formação social dos indivíduos, o afroempreendedorismo; ao domínio sociopedagógico como o mundo do trabalho, da arte-educação presente na capoeira e na música rap, e a educação sociocomunitária. É uma justa homenagem à Professora Sueli Pessagno-Caro.

Roma, 10 de maio de 2020. – Prof. Dr. Geraldo Caliman – Coordenador da Catedra Unesco de Juventude, Educação e Sociedade – Universidade Catolica de Brasilia.

 

 

Depoimento da UNESCO/Paris sobre a Cátedra UNESCO/UCB


O Prof. Dr. Marco Antonio Rodrigues Dias deu um belo depoimento sobre a atuação da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, coordenada pelo Prof. Geraldo Caliman com a colaboração do Prof. Célio da Cunha. O Prof. Marco Antonio foi, nos anos 90, o criador do projetos das Cátedras UNESCO, quando atuava como Diretor do Ensino Superior na sede da Unesco Paris.
Clique abaixo para ver o extrato de dois minutos no contexto de uma fala de 45 minutos do Prof. Marco Antonio sobre sustentabilidade e educação.

Coordenador da Cátedra UNESCO de Juventude profere palestra para estudantes da USP


No último dia 05 de outubro, o professor Dr. Geraldo Caliman, Coordenador da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da UCB, proferiu palestra para mestrandos e doutorandos do Programa de Educação da USP. O tema abordado foi ligado à Pedagogia Social. Professor Geraldo Caliman é mestre e doutor em educação e está fazendo seu segundo pós doutorado na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma (2020 a 2021), onde também já atuou como professor e foi coordenador do Programa de mestrado e doutorado em Pedagogia Social.  Tem experiência na área de Educação, Sociologia da Educação, com ênfase em Pedagogia Social, e temas correlatos como Educação Social, Exclusão Social, Prevenção, Sociologia do Desvio e da Delinquência, Delinquência Juvenil.

Pedagogia Social e Juventudes (no prelo)


 

EVANGELISTA, F.; MORAES, E.L.F. de; SILVA, O.M. da; REIS, D.M. (Orgs.). Pedagogia social e juventudes. São Paulo: Expressão 2020. Com apresentação de Geraldo Caliman, o livro discorre sobre temas muito ricos para a educação social. Alguns temas podem ser identificados como pertencentes: ao domínio sociocultural, como as relações de gênero, a juventude entre culturas e projeto de vida; ao domínio sociopolítico, como a formação social dos indivíduos, o afroempreendedorismo; ao domínio sociopedagógico como o mundo do trabalho, da arte-educação presente na capoeira e na música rap, e a educação sociocomunitária. É uma justa homenagem (in memoriam) à Professora Sueli Pessagno-Caro, que tinha como balizamento, de um lado, a educação social inspirada em Dom Bosco e, de outro, o referencial teórico e científico de uma pedagogia social a ser redescoberta a partir de Paulo Freire. Mas seu legado fica sobretudo ligado à sua atuação na sistematização de uma Pedagogia Social brasileira tão bem desenvolvida a partir dos inícios do terceiro milênio em torno dos Congressos Internacionais de Pedagogia Social.

 

 


Apresentamos a nova publicação “Internacionalização da Educação Básica e Superior: Desafios, Perspectivas, Experiências“, organizada pelo Prof. Dr. Renato Brito, com o selo da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília. Estamos vivendo um cenário mundial cada vez mais globalizado que tem impulsionado, dentre
outras coisas, o processo de internacionalização da Educação. O Ensino Superior iniciou esse processo, mas atualmente já se verifica também um gradativo processo de internacionalização na Educação Básica, refletido pela oferta das chamadas escolas internacionais e bilíngues, além da seleção de estudantes ainda no ensino médio para fazer o ensino superior fora de seus respectivos países de origem. Este novo cenário mundial exige não só uma troca de experiências mais ampliada e diversificada, como também a aquisição e o desenvolvimento, por parte dos estudantes, de competências e habilidades para um mundo do trabalho cada vez mais dinâmico, em decorrência das descontinuidades tecnológicas cada vez mais frequentes. É dentro deste cenário que se insere a importante iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica de Brasília e da Cátedra UNESCO-UCB ao promover o Congresso Internacional intitulado Internacionalização da Educação Básica e Superior: Desafios, Perspectivas e Experiências, que dentre outros produtos, gerou a edição deste livro, organizado pelo Prof. Dr. Renato de Oliveira Brito, composto por 17 capítulos escritos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, participantes, em sua larga maioria, do Congresso em questão. [Pode ser baixado em PDF com este link].

 

Contribuições do Sistema Preventivo de Dom Bosco para a Educação Social


CALIMAN, G. Contribuições do sistema preventivo de Dom Bosco para a Educação Social. Revista de Ciências da Educação, Americana, ano XXI, n. 45, p. 69-86, jul./dez. 2019.

Considerando que a construção de um bom clima escolar é funcional para a educação e a aprendizagem, o artigo apresenta brevemente uma releitura do Sistema Preventivo de Dom Bosco à luz dos princípios metodológicos da Pedagogia Social. Parte-se de quatro dimensões muito utilizadas na Pedagogia de Dom Bosco para os jovens do século XIX e que se encontram particularmente presentes na prática da Educação Social dos tempos de hoje. A dimensão racional e científica é orientada à aquisição de conhecimentos, habilidades e competências para a vida; ao equilíbrio entre esses conhecimentos e a educação aos valores; e à socialização com as normas de boa convivência social. A dimensão existencial é voltada à ativação das relações humanas e à proposta de um projeto de vida. A dimensão afetiva e relacional é aquela na qual se ativa a acolhida e o cuidado com o outro, assim como a sociabilidade humana, o desenvolvimento da vida afetiva, dos vínculos familiares, o estímulo ao conhecimento. E, por último, a dimensão profissional e tecnológica é a que prioriza a ação educativa sobre a produtiva; a participação e responsabilidade social; o estímulo ao investimento na vida escolar, à perspectiva de desenvolvimento profissional com vistas à produção de renda e à mobilidade social. Palavras-chave: Sistema Preventivo. Clima escolar. Educação Social.

Educação Básica em Tempos de Pandemia


GUILHERME, A.A.; BRITO, R. de O; DANTAS, L.G.; CHERON, C.; BECKER, C.  Educação Básica em Tempos de Pandemia. Brasília: Cátedra Unesco de Juventude Educação e Sociedade, 2020. [ISBN 978-65-87629-02-5] [Baixar em PDF].
São inúmeros os desafios a serem enfrentados neste preocupante cenário de pandemia mundial. Uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus desconhecido, exigiu reações imediatas das autoridades que, a exemplo de outros países, determinaram o fechamento das escolas, entre outras medidas. O “Guia de Recomendações Gerais para Reabertura das Escolas”, fruto do esforço conjunto de especialistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Universidade Católica de Brasília (UCB), extrapola a intencionalidade de reunir recomendações para a reabertura das escolas. O guia nos convida a refletir sobre o significado e o sentido que os espaços da escola precisam alcançar no pós-pandemia.
A suspensão das aulas presenciais e a rápida transição para um ensino remoto, via plataformas digitais, provocaram uma mudança profunda nas atividades dos gestores, técnicos-administrativos e professores, que, motivados a dar continuidade às suas disciplinas, tiveram de aprender e aplicar novas técnicas e metodologias, antes exclusivas para o ensino a distância. A mudança, porém, foi certamente mais impactante na rotina dos estudantes e das suas famílias. As dificuldades vão desde a disponibilidade de recursos tecnológicos até o acompanhamento dos estudantes, especialmente os mais novos. Sem dúvida há uma sobrecarga de trabalho para todos, mas, ao mesmo tempo, reconhecemos que o prosseguimento das atividades, quer seja por meio de aulas síncronas ou por compartilhamento de materiais em ambientes virtuais de aprendizado, foi (e segue sendo) fundamental para o desenvolvimento cognitivo e, especialmente, para a estabilidade emocional das crianças e dos jovens neste período de isolamento social.

Transdisciplinariedad y Educación del Futuro


DRAVET, F.; PASQUIER, F.; COLLADO, J.; CASTRO, G. (Orgs.). Transdisciplinariedad y Educación del Futuro. Brasilia: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, 2019. [Baixar o livro em PDF]

Transdisciplinariedad y Educación del Futuro es el lanzamiento más reciente de la colección de la Cátedra UNESCO de Juventud, Educación y Sociedad de la UCB. El libro está compuesto por artículos de diferentes autores, de diferentes áreas del conocimiento, que se ha centrado en la investigación y ha generado importantes reflexiones sobre la educación transdisciplinaria, es decir, que cubre varias perspectivas epistemológicas, garantizando así una perspectiva más amplia sobre la complejidad que implica ser, aprender, vivir y hacer. Los organizadores del libro son: Dra. Florence Dravet, profesora de la Universidad Católica de Brasilia; Dr. Florent Pasquier, profesor de la Universidad de la Sorbona, París; Dr. Javier Collado, profesor de la Universidad Nacional de Educación de Ecuador y Dr. Gustavo Castro, profesor de la Universidad de Brasilia. Entre los artículos está el de los profesores MSc José Ivaldo Araújo de Lucena, secretario ejecutivo de la Cátedra UNESCO en UCB y el Dr. Luis Síveres, del equipo de lectores de la misma Cátedra.

Artigo cientifico aborda Culturas de Paz


peacebuildingEquipe da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade (812), publica artigo científico dentro da linha de pesquisa do pós-doutoramento em andamento na Italia, pelo seu Coordenador. Pode ser acessado pelo DOI https://doi.org/10.1590/S0104-40362020002802047    O artigo foi publicado na Revista Ensaio (Qualis A1 em Educação), escrito em lingua inglesa, e intitula-se “Youth leadership and global citizenship: alternatives for peacebuilding in Brazilian public schools“. O artigo encontra-se em sintonia com a temática da pesquisa de pós-doutoramento que o Coordenador da Cátedra Unesco/UCB realiza na Itália, e reflete sobre a difusão de culturas de paz no ambiente escolar. O artigo afirma que a paz é fruto de uma construção social que demanda um processo individual e coletivo de informação e compromisso na construção de um mundo mais justo e inclusivo. A Universidade e a escola, enquanto espaços de educação formal tem um grande potencial como promotores e construtores de paz. O artigo discute esses dois argumentos a partir de uma experiência desenvolvida em duas escolas públicas do Distrito Federal pela Cátedra Unesco de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB), a partir de 2015 até o presente. A primeira parte discute-se o presente contexto da juventude a partir de um foco teórico na cidadania global e na centralidade da liderança juvenil para a apropriação de processos de construção de paz. A segunda parte enfatiza o papel da universidade e da escola pública na construção de redes que atuam proativamente na educação dos jovens para a cidadania, preparando-os para o eventual confronto com situações de violência e intolerância. A última parte do artigo volta-se para as experiências de sucesso dos últimos anos, capazes de ativar a prevenção da violência escolar e a construção de uma cidadania global. O estudo mostra que os princípios de educação para a paz e formação da cidadania global inspirados na Unesco são importantes alternativas para a promoção e construção de culturas de paz.