Arquivo mensal: novembro 2019

Jovens universitários: entre a inclusão e a exclusão


CALIMAN, G.; VASCONCELOS, I.(Orgs.). Jovens universitários: entre a inclusão e a exclusão. Brasília: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, 2019, 180 p. [Baixar livro em PDF]. Resultado de uma pesquisa da Rede IUS internacional, realizada por cinco universidades: a Universidad Politécnica Salesiana (UPS), do Equador; a Universidad Católica Silva Henríquez (UCSH), do Chile; a Universidad Don Bosco (UDB), de El Salvador; a Universidad Salesiana de Bolivia (USB) e a Universidade Católica de Brasília (UCB). Essa pesquisa se encaminha para estudos da UCB sobre inclusão e exclusão juvenil realizados no âmbito brasileiro.
No Brasil, a Constituição Federal determina que crianças, adolescentes e jovens usufruam desse direito em vinculação com outros – direito à vida, à saúde, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.Esse discurso oficial de alta abrangência obriga a sociedade como um todo a educar seus membros, traduzindo essa exigência em políticas públicas, com o apoio da legislação e normas pertinentes. Como essas promessas do discurso oficial se realizam nas instituições de ensino superior? Em particular, nas universidades? No fundo, tais perguntas perpassam os oito capítulos da presente obra, os quais se distribuem em duas partes. Na primeira delas, apresentam-se explicações sobre as juventudes e os modos como ocorrem os mecanismos de sua exclusão e inclusão social, partindo-se de perguntas como: O que é a juventude brasileira? Quais os desafios da educação social? Qual a forma de atuação dos Estados nacionais na área da promoção dos direitos humanos e da proteção destes em relação à juventude? O que é uma universidade inclusiva? Como a exclusão social ocorre na educação superior e de que maneira a universidade poderia concretizar uma efetiva inclusão educacional? Na segunda parte, apresentam-se percepções de jovens estudantes sobre exclusão e inclusão na universidade. Uma pesquisa qualitativo-exploratória traz dados e informações relevantes sobre essas percepções, tendo contado com a participação de 42 jovens estudantes de uma universidade que, sendo confessional, assume publicamente em seus documentos estratégicos o com promisso educacional global com os seus alunos. A diversidade de perfis dos participantes contribuiu muito para enriquecer os cinco grupos focais, cujas discussões foram impulsionadas por três amplas reflexões, colocadas aos participantes: 1) Qual o entendimento de exclusão social; 2) Como a universidade lida com diversas exclusões, inclusive a digital, em circulação por corredores, salas de aula e outros lugares; 3) Quais sentimentos de invisibilidade, enquanto exclusão humana, perpassam o dia a dia acadêmico.
Espera-se que a presente obra contribua para que as universidades concretizem a efetiva inclusão social de seus alunos. Que favoreça também a formação de professores, principalmente, aqueles que atuam na educação superior, posto que as reflexões e as conclusões ora colocadas à disposição dos leitores apontam para o contexto universitário. E que, no âmbito da educação em geral, possa contribuir com uma educação humanística, nos passos dos quatro pilares da Educação para o Século XXI. Estes, em princípio, destinam-se à educação básica, porém, se aplicam também à educação superior, guardando-se as devidas adequações, pois envolvem a contínua renovação do conhecimento.

Seminário Janelas de Oportunidades: da Primeira Infância à Socioeducação


 

Palestra no Auditório do Senado

Dep. Paula Belmonte, Prof. Geraldo Caliman, Prof. Rogério Córdova no Auditório Petrônio Portela do Senado Federal

Prof. Geraldo Caliman participa como palestrante do “Seminário Janelas de Oportunidades: da Primeira Infância à Socioeducação”. Sob o tema “Prevenção da violência na sociedade e na escola”. O evento teve a participação organizacional da Cátedra UNESCO de Juventude Educação e Sociedade.

O tema discutido foi “Caminhos para a construção da cultura de paz no ciclo da vida”, sob a coordenação da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), vice-presidente da Frente Parlamentar Mista da Primeira Infância, com moderação dos debates pela promotora de Justiça do Espírito Santo Andrea Teixeira de Souza, membro da Comissão da Infância e Juventude do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Antes da apresentação do painel, o Núcleo de Ensinamento de Viola Caipira de Ceilândia apresentou diversas peças do cancioneiro do sertanejo de raiz.

Ao abrir os trabalhos, a deputada federal Paula Belmonte destacou que o próprio nome do seminário já apresenta a chave do que estamos procurando. “Se investirmos na primeira infância, não teremos a necessidade da socioeducação”, disse. Ela ressaltou que se deve investir na educação. Segundo a deputada, um adolescente no socioeducativo custa em média 9 mil reais por mês, enquanto o custo de uma criança na escola não chega a 10% desse valor.

A primeira palestra do painel foi apresentada pelo coordenador da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, professor Geraldo Caliman. O tema abordado foi “Perspectivas para a prevenção da violência”. Ele fez uma apresentação das diversas ideologias que influenciam as ações dos assistentes sociais para prevenção da violência nas famílias. O professor evidenciou que muitas dessas ideologias pregam a punição como forma de reeducação dos adolescentes. E essa é, hoje, segundo ele, a maior tendência da nossa sociedade, pois se debate o aumento das penas, a redução da maioridade penal, entre outros temas semelhantes.

Caliman fez uma comparação entre o Positivismo e a Escola de Chicago. A primeira defendia que o indivíduo já nasce culpado, e por isso deve ser socializado; e a segunda dizia que a responsabilidade da infração é da influência social. No Positivismo havia uma tendência a se punir mais para buscar a ressocialização. Na Escola de Chicago a tendência era segregar os indivíduos da sociedade.

O professor finalizou defendendo investimentos na educação. “Se a pessoa aprende a ser delinquente, pode muito bem aprender a conviver pacificamente em sociedade. Na escola deve-se promover a integração do adolescente com a família, a comunidade e as instituições sociais”, disse. E terminou afirmando que na socioeducação deve-se ensinar os valores morais e éticos e, principalmente, ensinar a definir um projeto de vida para que os socioeducandos vejam que há um futuro que podem construir para eles próprios.
[Texto: Noticias do TJDFT]