Jovens universitários: entre a inclusão e a exclusão


CALIMAN, G.; VASCONCELOS, I.(Orgs.). Jovens universitários: entre a inclusão e a exclusão. Brasília: Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, 2019, 180 p. [Baixar livro em PDF]. Resultado de uma pesquisa da Rede IUS internacional, realizada por cinco universidades: a Universidad Politécnica Salesiana (UPS), do Equador; a Universidad Católica Silva Henríquez (UCSH), do Chile; a Universidad Don Bosco (UDB), de El Salvador; a Universidad Salesiana de Bolivia (USB) e a Universidade Católica de Brasília (UCB). Essa pesquisa se encaminha para estudos da UCB sobre inclusão e exclusão juvenil realizados no âmbito brasileiro.
No Brasil, a Constituição Federal determina que crianças, adolescentes e jovens usufruam desse direito em vinculação com outros – direito à vida, à saúde, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.Esse discurso oficial de alta abrangência obriga a sociedade como um todo a educar seus membros, traduzindo essa exigência em políticas públicas, com o apoio da legislação e normas pertinentes. Como essas promessas do discurso oficial se realizam nas instituições de ensino superior? Em particular, nas universidades? No fundo, tais perguntas perpassam os oito capítulos da presente obra, os quais se distribuem em duas partes. Na primeira delas, apresentam-se explicações sobre as juventudes e os modos como ocorrem os mecanismos de sua exclusão e inclusão social, partindo-se de perguntas como: O que é a juventude brasileira? Quais os desafios da educação social? Qual a forma de atuação dos Estados nacionais na área da promoção dos direitos humanos e da proteção destes em relação à juventude? O que é uma universidade inclusiva? Como a exclusão social ocorre na educação superior e de que maneira a universidade poderia concretizar uma efetiva inclusão educacional? Na segunda parte, apresentam-se percepções de jovens estudantes sobre exclusão e inclusão na universidade. Uma pesquisa qualitativo-exploratória traz dados e informações relevantes sobre essas percepções, tendo contado com a participação de 42 jovens estudantes de uma universidade que, sendo confessional, assume publicamente em seus documentos estratégicos o com promisso educacional global com os seus alunos. A diversidade de perfis dos participantes contribuiu muito para enriquecer os cinco grupos focais, cujas discussões foram impulsionadas por três amplas reflexões, colocadas aos participantes: 1) Qual o entendimento de exclusão social; 2) Como a universidade lida com diversas exclusões, inclusive a digital, em circulação por corredores, salas de aula e outros lugares; 3) Quais sentimentos de invisibilidade, enquanto exclusão humana, perpassam o dia a dia acadêmico.
Espera-se que a presente obra contribua para que as universidades concretizem a efetiva inclusão social de seus alunos. Que favoreça também a formação de professores, principalmente, aqueles que atuam na educação superior, posto que as reflexões e as conclusões ora colocadas à disposição dos leitores apontam para o contexto universitário. E que, no âmbito da educação em geral, possa contribuir com uma educação humanística, nos passos dos quatro pilares da Educação para o Século XXI. Estes, em princípio, destinam-se à educação básica, porém, se aplicam também à educação superior, guardando-se as devidas adequações, pois envolvem a contínua renovação do conhecimento.

Seminário Janelas de Oportunidades: da Primeira Infância à Socioeducação


 

Palestra no Auditório do Senado

Dep. Paula Belmonte, Prof. Geraldo Caliman, Prof. Rogério Córdova no Auditório Petrônio Portela do Senado Federal

Prof. Geraldo Caliman participa como palestrante do “Seminário Janelas de Oportunidades: da Primeira Infância à Socioeducação”. Sob o tema “Prevenção da violência na sociedade e na escola”. O evento teve a participação organizacional da Cátedra UNESCO de Juventude Educação e Sociedade.

O tema discutido foi “Caminhos para a construção da cultura de paz no ciclo da vida”, sob a coordenação da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), vice-presidente da Frente Parlamentar Mista da Primeira Infância, com moderação dos debates pela promotora de Justiça do Espírito Santo Andrea Teixeira de Souza, membro da Comissão da Infância e Juventude do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Antes da apresentação do painel, o Núcleo de Ensinamento de Viola Caipira de Ceilândia apresentou diversas peças do cancioneiro do sertanejo de raiz.

Ao abrir os trabalhos, a deputada federal Paula Belmonte destacou que o próprio nome do seminário já apresenta a chave do que estamos procurando. “Se investirmos na primeira infância, não teremos a necessidade da socioeducação”, disse. Ela ressaltou que se deve investir na educação. Segundo a deputada, um adolescente no socioeducativo custa em média 9 mil reais por mês, enquanto o custo de uma criança na escola não chega a 10% desse valor.

A primeira palestra do painel foi apresentada pelo coordenador da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, professor Geraldo Caliman. O tema abordado foi “Perspectivas para a prevenção da violência”. Ele fez uma apresentação das diversas ideologias que influenciam as ações dos assistentes sociais para prevenção da violência nas famílias. O professor evidenciou que muitas dessas ideologias pregam a punição como forma de reeducação dos adolescentes. E essa é, hoje, segundo ele, a maior tendência da nossa sociedade, pois se debate o aumento das penas, a redução da maioridade penal, entre outros temas semelhantes.

Caliman fez uma comparação entre o Positivismo e a Escola de Chicago. A primeira defendia que o indivíduo já nasce culpado, e por isso deve ser socializado; e a segunda dizia que a responsabilidade da infração é da influência social. No Positivismo havia uma tendência a se punir mais para buscar a ressocialização. Na Escola de Chicago a tendência era segregar os indivíduos da sociedade.

O professor finalizou defendendo investimentos na educação. “Se a pessoa aprende a ser delinquente, pode muito bem aprender a conviver pacificamente em sociedade. Na escola deve-se promover a integração do adolescente com a família, a comunidade e as instituições sociais”, disse. E terminou afirmando que na socioeducação deve-se ensinar os valores morais e éticos e, principalmente, ensinar a definir um projeto de vida para que os socioeducandos vejam que há um futuro que podem construir para eles próprios.
[Texto: Noticias do TJDFT]

Universidades Salesianas se reúnem em Quito, Equador


Começou ontem a VIII Conferência das Instituições Universitárias Salesianas (IUS) na América. Presentes, da Universidade Católica de Brasilia, o Reitor, Prof. Jardelino Menegat; o Prof. Eduardo Moresi; o Prof. Geraldo Caliman. O evento acontece na Universidade Politécnica Salesiana em Quito, no Equador, e vai até esta sexta-feira (20), buscando fortalecer o caminho conjunto das Universidades Salesianas das Américas. Como objetivos específicos, a conferência visa: – Promover a reflexão contínua das IUS sobre sua missão à luz dos desafios das sociedades latino-americanas e do desenvolvimento do ensino superior; – Avaliar o trabalho desenvolvido a partir do Programa Comum 5 (2017 – 2021) das IUS da América, aprovado durante a Conferência de  –  Santiago, em Olmué (2017); – Definir as projeções e o plano de trabalho para o período de 2019-2021, conforme estabelecido no Programa Comum 5; – Promover iniciativas de fortalecimento institucional e cooperação acadêmica entre as instituições. Para conhecer a programação da VIII Conferência das IUS na América, clique aqui.

 

Relatório de Pesquisa Internacional em Quito (Equador)


VIII-ConferenciaOs professores Geraldo Caliman e Eduardo Moresi, juntamente com o Prof. Dr. Ir. Jardelino Menegat (Reitor), participam da VIII Conferencia IUS América que se realizará na “Universidad Politécnica Salesiana” do Equador de 17 a 20 de setembro de 2019. O objetivo da Conferência é fortalecer o caminho conjunto das Universidades Salesianas das Américas, organização à qual também a UCB participa como membro. O Prof. Geraldo Caliman expõe os resultados de uma pesquisa (“Caracterização dos processos de inclusão/exclusão social de jovens universitários”) realizada em conjunto com universidades de cinco países da América Latina: a Universidade Politecnica Salesiana (UPS) do Equador; a Universidad Catolica Silva Henriquez (UCSH) do Chile; a Universidad Don Bosco de El Salvador (UDB); a Universidad Salesiana da Bolívia (USB), e a Universidade Católica de Brasília (UCB). Caliman participa como membro das IUS, no grupo de pesquisa em Juventude e em representação da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade. O Prof. Eduardo Amadeu Moresi participa sob convite para expor aos participantes da Conferência a parceria entre a UCB e a Apple, projeto que se desenvolve há alguns anos destinado a formar os estudantes na área de informática. Para saber mais sobre a VIII Conferencia IUS América: clique aqui

Encontro com o Ministro da Educação


No dia 10 de setembro, em audiência com o Ministro da Educação, Abraham Weintraub e em companhia com o Deputado Evair de Melo relatei as atividades da Cátedra 812 da Unesco que tenho a honra de presidir, sediada a Universidade Católica de Brasilia. O Ministro que na foto tem em mãos alguns dos meus livros, se manifestou disponível a apoiar uma cooperação acadêmica entre o MEC e a Cátedra Unesco de Juventude, Educação e Sociedade. Nossa Cátedra trabalha com pesquisas na área de Prevenção da Violência, Culturas de Paz, Qualidade da Educação.

Aprendizagem Baseada em Desafios (Artigo)


A Doutoranda Hadassah Santana (Orientador: Prof. Caliman) publicou nos anais do EDULEARN19 o seguinte artigo: The use of moot court methodology as an instrument of team basead learning in the law course [baixar em pdf]. Pode ser acessado no EDULEARN por este link. O contexto deste artigo baseia-se no uso da Aprendizagem Baseada em Desafios (CBL), ou a metodologia do tribunal simulado, para verificar, não exaustivamente, a possível transformação das práticas de ensino e aprendizagem no curso do Direito. A partir desse contexto induz-se a compreensão de conceitos teóricos a partir de situações reais e presente no contexto social. O objetivo do texto é verificar se a discussão pode ser evidenciada como formato da metodologia ativa denominada aprendizagem baseada em equipes (TBL). Este artigo pode ser classificado como relato de experiência, no qual a metodologia CBL é utilizada no curso de pós-graduação stricto sensu, com o objetivo de auxiliar os alunos na elaboração de tópicos de pesquisa. Assim, a proposta da CBL é acoplada ao processo de pesquisa, apresentando um tópico de pesquisa relacionado ao enfoque do aluno, cujo estágio de engajamento e definição do desafio são pressupostos para a definição de termos de busca, visando a realização de pesquisa bibliográfica no Scopus e Web of Science A metodologia utilizada baseou-se na seleção de um período específico e seleção de até 4.000 documentos na base de dados Scopus e extração dos metadados completos em CSV, e, em tempo hábil, a seleção de até 2000 documentos Web of Science, importando os metadados para o formato TXT. Após tais ações, foram gerados gráficos de termos co-ocorrência e acoplamento bibliográfico no VOSviewer e exportados em GML para Gephi, executando as seguintes métricas: grau médio, diâmetro de rede, modularidade de classe, PageRank e centralidade de autovetores. O gráfico foi gerado com o algoritmo Force Atlas 2 ou Fruchterman Reingold. Os resultados da pesquisa e a elaboração de questões direcionaram a pesquisa bibliográfica, análise e interpretação das informações, coletadas com o objetivo de elaborar um relatório contendo a proposta de pesquisa referente à prática de ensino e aprendizagem em Direito do Ensino Superior com o uso de metodologia ativa: moot court considerada, no presente trabalho, como parte da metodologia ativa Aprendizagem baseada em equipe. Os documentos recuperados não reúnem os termos moot court e team-based learning, mas os termos gerados a partir da análise dos resultados formam um conjunto de significados semelhantes, dando origem à questão essencial da pesquisa: se moot court pode ser considerada uma metodologia de aprendizagem baseada em equipe. Pode-se concluir que a aplicação do CBL orienta o processo de pesquisa e a elaboração de indicadores bibliográficos qualificados, endossando o processo de construção qualitativa de revisão da literatura do assunto que é proposta e indicando a aproximação do formato de Moot ou simulação de corte ao TBL.

Prevenção ao suicídio na Escola Fundamental: um tema urgente


Participando como examinador na banca “Possibilidades de superação do suicídio entre estudantes do ensino fundamental”: apresentação de pesquisa de Mestrado hoje do estudante Elias Pereira de Lacerda. Os princípios metodológicos da Pedagogia Social presentes na prevenção ao suicídio de adolescentes e jovens. Parabéns Luiz Síveres que orientou o trabalho.

“No mundo atual, cada vez mais fragmentado e líquido, as pessoas parecem se tornar invisíveis umas para as outros, caracterizando uma sociedade surda, cega e muda. A busca pelo ter faz com que as pessoas se esqueçam, muitas vezes, que são seres humanos repletos de valores e sentimentos, chegando ao ponto de se tornarem excluídos invisíveis, ignorando as causas e sinais do fenômeno do suicídio de pessoas em sofrimento ao seu lado. Nesse cenário, a realização de uma pesquisa oferece reflexões sobre o tema Possibilidades de Superação do Suicídio entre Estudantes do Ensino Fundamental como forma de contribuir para que o indivíduo se torne visível e demonstre os fatores de proteção que têm contribuído para entender que viver é a melhor opção. Este trabalho teve como objetivo geral identificar as causas da tentativa de suicídio e os possíveis fatores de superação entre estudantes do Ensino Fundamental e buscou perceber possíveis causas e sinais de suicídio no aluno; capturar as possibilidades voltadas para a superação do suicídio entre os alunos do Ensino Fundamental e identificar as pessoas e instituições e suas contribuições para a superação do suicídio entre alunos do Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa-exploratória, que lançou mão do estudo de campo, gerando dados mediante a entrevista semiestruturada. A análise dos dados possibilitou ao pesquisador a inferência e a interpretação dos dados. Os resultados evidenciam possíveis causas do suicídio entre alunos do Ensino Fundamental, como a falta de atenção da família, bullying, automutilação, depressão e invisibilidade. Em relação aos sinais de suicídio apareceu o comportamento antissocial e a solidão. A música e o choro prevaleceram entre os fatores de proteção. Ainda, a figura materna e os amigos contribuíram com diálogo e acolhimento. O estudo, ao final, apresenta algumas recomendações voltadas aos sinais, causas, estratégias e contribuições de pessoas e instituições para a superação do suicídio entre alunos nesse nível de escolaridade” (Elias Lacerda – Abstract).

UCB envia 17 professores para Pós-Doutorado no Exterior através da FAP/DF


A Reitoria da Universidade Católica de Brasília (UCB) homenageou 17 professores dos Programas de Pós-Graduação da Instituição que foram selecionados pelos editais 63/2019 e 72/2019, da Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF), para realizarem os cursos de Pós-Doutoramento (Pós-Doc) no exterior. O envio de tantos professores de uma só vez é inédito dentro da Instituição. Prof. Geraldo Caliman fará seu Pos-doc na Itália durante o ano de 2020.

A intensão da Universidade, com a formação de professores no exterior é, logicamente, ter um corpo docente altamente capacitado e atualizado, bem como fechar parcerias com IES de outros países, facilitando assim o intercâmbio de discentes e docentes. “Temos interesse em fechar novas parcerias, criar novos laços com outras instituições, por isso cada um de vocês levará uma carta assinada pelo reitor acentuando a nossa intenção de diálogo”, disse o pró-reitor de Administração.

Prof. G. Caliman participa de Assembleia do ChildFund Brasil


O prof. Geraldo Caliman participa entre os dias 13 e 15 da Assembleia do ChildFund Brasil, na sede da Fundação Dom Cabral em Belo Horizonte. Uma das ONGs mais respeitadas em governança no Brasil. Desde 1966, o ChildFund Brasil é uma organização de desenvolvimento social que por meio de uma sólida experiência na elaboração e no monitoramento de programas e projetos sociais mobiliza pessoas para a transformação de vidas. Crianças, adolescentes, jovens, famílias e comunidades em situação de risco social são apoiadas para que possam exercer com plenitude o direito à cidadania. No Brasil, a organização beneficia, por meio de projetos sociais, mais de 140 mil pessoas, das quais mais de 42 mil são crianças, adolescentes e jovens. Para isso, o ChildFund Brasil conta com a parceria de 45 organizações sociais, que atuam em mais de 40 municípios.

É possível educar para culturas de paz em ambientes que transpiram violência?


A violência é um tema da atualidade e parece estar incidindo sempre mais nas relações interpessoais, principalmente na sociedade brasileira.

Ela tende a nascer e se desenvolver dentro de ambientes que transmitem culturas de violência. Como nossas crianças e adolescentes absorvem essas influências culturais? É possível educar para culturas de paz em ambientes que transpiram violência? O cuidado com os adolescentes e jovens que frequentam a socioeducação nos desafia a procurar respostas para algumas dessas perguntas. A Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do DF, representada pela Juíza Dra. Lavínia Tupy Vieira Fonseca e seus colaboradores – como a Dra. Ivânia Ghesti, analista judiciária do TJDFT na área de psicologia, atuando com foco na Primeira Infância -, juntamente com a Cátedra Unesco de Juventude, Educação e Sociedade estão entre aqueles que buscam respostas e soluções para ajudar a escola, a família e a sociedade a educar seus filhos dentro de uma perspectiva voltada às culturas de paz. Projeta-se, neste sentido, um Congresso Internacional intitulado “Prevenção da Violência: da Primeira Infância à Socioeducação”. Se possível de ser realizado um Congresso voltado a esse tema seria muito importante para o setor pois tende…
– a buscar na academia as luzes para entender as raízes da violência e as melhores estratégias preventivas para uma educação orientada às culturas de paz;
– a criar sintonia e sincronia nas ações dos profissionais da educação social;
– a vislumbrar metodologias inspiradas na Pedagogia Social, voltadas ao atendimento da Primeira infância, dos adolescentes e jovens, de modo especial àqueles que necessitam dos serviços do sistema socioeducativo;
– a aprofundar temas muito presentes na vida das crianças, adolescentes e jovens, como a drogadição, a fragilidade dos laços familiares, o tempo ocioso e a motivação para a escola e a aprendizagem.

Publicação: Juventude Universitária e Direitos Humanos


De autoria de Robson LUSTOZA e Geraldo CALIMAN, o livro trabalha a concepção que estudantes universitários têm sobre os Direitos Humanos. A Educação em Direitos Humanos torna-se um instrumento que possibilita o conhecimento de tais direitos de modo que sejam reconhecidos não somente como direitos, mas também como dever de promoção de todos em vista da construção de uma cultura de paz e da harmonia social. Nesse contexto, emergem como essenciais as políticas públicas nacionais, que, respondendo aos acordos internacionais tendem a promover a Educação para os Direitos Humanos entre os diversos segmentos da sociedade. Entre tais segmentos, destaca-se nesta pesquisa, aquele da Universidade como um local privilegiado de formação e informação para os estudantes e futuros profissionais. Tanto melhor quanto mais claras forem as orientações ditadas pelas políticas públicas para a Educação em Direitos Humanos no Ensino superior. E o meio universitário tende a sintonizar-se com o período juvenil, em que os jovens vislumbram a possibilidade de participação ativa e cidadã na vida social em busca de mudanças inspiradas pelos desafios emergentes do contexto social. O presente livro apresenta em uma primeira parte, um recorte teórico-analítico das normativas sobre os Direitos Humanos e sua promoção no meio universitário; na segunda parte indaga, através de entrevistas coletivas (focus groups), qual a percepção dos jovens universitários sobre a presença ou não dos conteúdos relativos aos Direitos Humanos nos currículos e Projetos Pedagógicos de seus cursos. A pesquisa teve uma abordagem qualitativa de caráter exploratório utilizando como estratégia de pesquisa o estudo de caso múltiplo, como técnica de levantamento e análise dedados: grupo focal, análise documental e para tratamento e análise dos dados, a análise de conteúdo.

Ao analisar a percepção dos estudantes do curso de Letras-Português e de Pedagogia acerca da Educação para os Direitos Humanos no meio universitário a partir das opiniões advindas das entrevistas dos grupos focais e analisadas, foi possível inferir que os estudantes percebem que a Universidade tem proporcionado noções relacionadas tanto aos Direitos Humanos quanto à Educação em Direitos Humanos. São considerados nessa percepção a oferta de disciplinas que tratam da temática de forma transversal, assim como em ações que compõem o currículo dos cursos; mesmo que as ações realizadas na instituição não sejam intencionalmente e explicitamente voltadas para Educação para os Direitos Humanos. Entende-se que as noções de Direitos Humanos constatadas entre os estudantes não emanam somente dos ensinamentos da Universidade, mas também dos conhecimentos transmitidos pelas instituições sociais como a família, o Estado, a sociedade assim como pelos veículos de comunicação. Entretanto, analisando a opinião dos estudantes, observa-se que não há clareza acerca do tema em questão. Intuitivamente conceituam os Direitos Humanos e evocam legislações diversas para justificarem suas falas. Pondera-se que os cursos em análise, pelo fato de serem licenciaturas, aumentem a responsabilidade da instituição em ofertar uma Educação em Direitos Humanos coerente e efetiva em sintonia com os dispositivos legais e normativas nacionais, pois nestes cursos formam-se educadores com potencial multiplicador da Educação em Direitos Humanos.

Chanceler da UCB visita Cátedra UNESCO/UCB


IMG_7994O Grão-Chanceler da Universidade Católica de Brasilia, Pe. Orestes Fistarol, visitou a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade no dia 21 de março. Encontrou-se com o Coordenador da Cátedra Prof. Dr. Geraldo Caliman e com o Secretário Executivo da mesma, Prof. MSc José Ivaldo Lucena. Por ocasião da visita o Chanceler lembrou da importância da presença da UNESCO dentro de nossa Universidade através de estudos e pesquisas de alto relevo ligados à Educação e à Juventude. Na ocasião foram apresentados as cerca de cinquenta publicações (livros) publicados com o selo da Cátedra UNESCO/UCB nos últimos dez anos. Agradecemos a presença do Chanceler pela oportunidade de demonstrar os trabalhos de nossa rede.

Nova publicação: Cátedras UNESCO e os desafios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável


Cátedras UNESCO e os Desafios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CALIMAN, G. Org.). Na área da Educação, a UNESCO construiu ativamente a Agenda de Educação 2030, englobada pelo ODS 4 (Educação de Qualidade). A Declaração de Incheon, adotada em maio de 2015, conferiu à UNESCO a responsabilidade de liderar e coordenar o tema por meio de orientação e apoio técnico no âmbito da agenda 2030. Na área das Ciências Naturais, a nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável representa um importante avanço no reconhecimento da contribuição da ciência, da tecnologia e da inovação (CTI) para o desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, na área das Ciências Humanas e Sociais, a UNESCO visa consolidar princípios e valores universais, como a solidariedade global, a inclusão, a não-discriminação, a equidade de gênero e a responsabilização na implementação dos ODS. Quanto à Cultura, a UNESCO acredita que a inserção desse tema no centro das políticas de desenvolvimento é Investimento essencial no futuro do mundo e uma pré-condição para processos de globalização bem-sucedidos que levem em consideração o princípio da diversidade cultural. Por fim, no âmbito da Comunicação e Informação, a UNESCO segue defendendo o reconhecimento do papel vital que a liberdade de expressão e acesso à informação desempenham em sociedades sustentáveis.

No dia 14 de agosto de 2008 acontecia a inauguração oficial da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade. As instituições fundadoras desta Universidade compõem-se de diversos grupos dedicados há séculos à educação: salesianos, salesianas, lassalistas, maristas e estigmatinos. Todas essas congregações religiosas, trazem no seu DNA uma identidade muito especial, voltada à educação e particularmente à educação da juventude. E essa Cátedra não poderia estar em lugar mais adequado, a partir do momento em que é voltada à educação e à juventude dentro da sociedade. Ela foi criada sob uma sólida experiência de rede de observatórios de violências nas escolas, e de consequentes congressos Ibero-americanos de violências nas escolas. De 2008 para cá, seguiram-se 10 anos que demonstram um crescente desenvolvimento de pesquisas, as quais, ficaram registradas nos 35 volumes publicados com o selo desta Cátedra. Eles compõem uma coleção especial da nossa Cátedra. Outros são publicados, às vezes, com o selo da Cátedra, mas em outras instituições, e por outros editores. Não podemos deixar de contabilizar também as centenas de artigos científicos orientados segundo os objetivos e a temática desta Cátedra. O presente momento caracteriza-se por um especial agradecimento pelo apoio da Universidade, como também, pelo constante estímulo dado à Cátedra durante esses anos pela UNESCO-Brasil que tanto estimulou para que esse encontro de Cátedras se realizasse.

Relata-se, aqui, a experiência de sintonia de cinco das 21 cátedras UNESCO presentes no Brasil com os desafios de postos pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. De modo especial celebra-se os dez anos da institucionalização da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, no âmbito da Universidade Católica de Brasília, como um espaço de promoção e fortalecimento das discussões teórico-metodológicas em torno do tema das juventudes. Verifica-se que, a partir de uma opção institucional do trabalho sobre/para/com as juventudes, a Universidade propõe à UNESCO a formação do Observatório de Violências nas Escolas-Brasil, o qual, embora tenha uma centralidade nas questões escolares, acaba por se aproximar da vocação institucional da UNESCO de trabalho com as juventudes e se caracteriza como o embrião para a organização da Cátedra. Evidencia-se, a partir da experiência relatada, a necessidade de que a universidade seja capaz de romper os paradigmas tradicionais que a individualizam, abrindo-se para o trabalho em rede, de forma a protagonizar uma contínua capilaridade interinstitucional que respeita as identidades e faz a catálise das possibilidades.

Tese de Doutorado: Cyberbullying: Práticas e Consequências da Violência Virtual na Escola


 

No dia 7 de dezembro defendeu sua tese de doutorado Neide Aparecida RIBEIRO, com o título Cyberbullying: práticas e consequências da violência virtual na escola. Orientador: Prof. Dr. Geraldo Caliman. Trata-se de estudo do cyberbullying, temática inserida no programa de doutoramento em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), alinhada no programa de pesquisa Educação, Juventude e Sociedade na subárea da “Educação em contextos não formais caracterizados por conflitos sociais, complexidade social, delinquência juvenil e dependências”. O objetivo é o de analisar o fenômeno da violência virtual praticada por pessoas acobertadas pelo anonimato ou pseudoanonimato, ao utilizarem desse ambiente que pode implicar em invasão e violação da privacidade ou intimidade de dados de adolescentes e jovens. A problemática está centrada nas práticas de atos deliberados pelos usuários e nas consequências que vulneram a vítima com a ridicularização, discriminação, preconceito de qualquer natureza, exclusão e exposição da vida privada na Internet. O sítio virtual possibilita em um nível devastador, que as informações sejam veiculadas e reproduzidas instantaneamente, o que dificultam as ações que possam reduzir os danos de ordem psicológica, física e material à pessoa que se encontre nestas condições. São questões graves em que professores, pais e gestores não estão preparados para lidar com violências que extrapolam o espaço físico da escola. No Brasil, não há políticas públicas eficazes de prevenção e combate ao cyberbullying ou diretrizes legais ou governamentais que possam ser aplicadas nas instituições escolares, apesar da existência de legislações esparsas no âmbito da criminalização e da incidência de casos cada vez mais recorrentes registrados no site da SaferNet de vítimas que sofrem com a exposição desautorizada de imagens ou informações pessoais na Internet. Justifica-se, portanto, a importância da pesquisa pela dimensão preventiva a ser abordada no âmbito das escolas, pela filtragem das redes sociais e adoção de medidas alternativas para a minimização dos riscos e danos da violência virtual. Na investigação do problema foram utilizados métodos inspirados na netnografia, de Robert V. Kozinets que consistem na observação e imersão em comunidades on line, na análise e coleta dos dados mediante a aplicação de questionários semiestruturados. No ambiente presencial, foi realizada análise documental dos projetos de lei e da legislação em vigor, no período entre 2015 a 2017, observação e aplicação de entrevistas semiestruturadas em quatro escolas municipais da cidade de Palmas, no Tocantins. O material coletado on line e off line foi analisado sob o prisma da análise do discurso de Foucault (1999) e Fairclough (2001[1992]). Os resultados encontrados revelaram que os jovens têm inserido informações privadas na rede, ora sendo fisgados como vítimas, ora sendo os agressores, frequentemente, sem a compreensão das consequências que as ações perpetradas podem acarretar na vida de outras pessoas. Foram traçadas recomendações para que várias medidas possam ser implementadas nas escolas contextualizadas às exigências legais, pautadas nos direitos humanos e contextualizadas à realidade das escolas do Município de Palmas/TO, para a qualificação de professores e gestores escolares na prevenção e enfrentamento do cyberbullying. Palavras-chave: Juventudes. Cyberbullying. Violência. Escola. Políticas Públicas.

 

 

Tese de Doutorado: O Trabalho Docente com Adolescentes em Conflito com a Lei


Christina Pereira da Silva, aluna do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, defendeu na segunda feira dia 25 de fevereiro, sua significativa e brilhante Tese de Doutorado, intitulada “O TRABALHO DOCENTE COM ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI: UM OLHAR A PARTIR DA PSICODINÂMICA DO TRABALHO”, orientada pelo Prof. Dr. Geraldo Caliman. A pesquisa teve como objetivo geral investigar o trabalho de professores que atuam com adolescentes em conflito com a lei, em uma escola inserida dentro de uma unidade de internação no Distrito Federal, a partir da psicodinâmica do trabalho, mediante aspectos que fazem parte do trabalho, tais como: a organização do trabalho docente a partir das divergências entre o trabalho prescrito e o real; as vivências de sofrimento existentes no trabalho docente e as estratégias defensivas individuais e coletivas decorrentes dessas e a mobilização subjetiva quanto às relações de cooperação, reconhecimento e inteligência prática. O trabalho do professor, em uma unidade de internação, é permeado de imprevistos e incidentes, sendo marcado, muitas vezes, pela resistência do real. Tais circunstâncias tendem a gerar surpresa, nervosismo, irritação, e sentimento de impotência que levam ao sofrimento. O desafio para a sociedade contemporânea consiste em empreender ações para a materialidade da proposta socioeducativa, frente ao objetivo de realizar a mediação dos adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa junto à sociedade, uma vez que esta política tem por objetivo educá-los para a vida em liberdade. Esse contexto evidencia a importância do papel que deve ser atribuído à socioeducação e, principalmente ao professor que atua nesta modalidade de educação. Cabe a este profissional lidar com diferentes demandas dada a complexidade inerente ao seu espaço de atuação. No contexto desta investigação, algumas questões foram analisadas à luz da teoria de Dejours. A intenção foi promover momentos de escuta ao que esses profissionais da socioeducação tem a revelar/demonstrar sobre seu cotidiano laboral. Para isso utilizou-se a Clínica do Trabalho, apoiada na psicodinâmica do trabalho. Foi uma pesquisa de natureza qualitativa e teve como instrumento a Clínica do Trabalho, a qual promoveu um espaço de trocas para o coletivo docente com enfoque no trabalho, possibilitando investigar elementos como cooperação, reconhecimento, sofrimento, mobilização da inteligência e, também, estratégias defensivas que se desenvolvem e se estabelecem a partir das situações de trabalho. A relevância deste estudo está em despertar a atenção do meio acadêmico/político e social para o trabalho docente, desenvolvido em unidades de internação, assim como para as condições de trabalho e suas consequências para o bem-estar emocional e profissional dos docentes. Espera-se também contribuir para que se conheça detalhadamente, o modo de trabalho docente e, numa perspectiva mais ampla, almeja-se ainda a melhoria do trabalho docente na socioeducação